Circuito de Cinemas de Maceió

A partir da próxima sexta-feira, dia 26, o circuito de cinemas de Maceió entra numa nova era.

São pelo menos 80 operários trabalhando ininterruptamente para concluir a construção das cinco salas que formam o Centerplex Cinemas, o maior complexo de exibição já instalado até agora na capital: na próxima sexta-feira, 26, os maceioenses finalmente poderão desfrutar do espaço, localizado no Shopping Pátio Maceió, no Tabuleiro do Martins. A programação com os filmes que entram em cartaz no dia da abertura ainda não foi definida pela empresa.

À primeira vista, a inauguração pode ser encarada apenas como uma opção a mais de entretenimento, mas é bem mais que isso. Desde sempre acanhado, a verdade é que o parque exibidor da cidade entra numa nova era a partir de agora. Além da duplicação do circuito – passaremos de cinco para dez salas -, Maceió ganhará também sua primeira sala 3D, tecnologia que, ao que tudo indica, deve revolucionar a indústria cinematográfica. Até a primeira quinzena deste mês, a ficção científica Avatar, de James Cameron, ultrapassou os 7 milhões de espectadores com um total de 459 salas exibindo em 35mm e outras 100 projetando em 3D. Ou seja, somente no novo formato o filme levou mais de um milhão de pessoas aos cinemas. É muita coisa.

O FAXINEIRO QUE VIU SEU SONHO VIRAR REALIDADE

Criada há 29 anos, a empresa São Luiz de Cinemas, proprietária da marca Centerplex, tem, curiosamente, o nome que batiza algumas salas do Grupo Severiano Ribeiro, um de seus concorrentes. Mineira, é uma das maiores do Brasil no segmento. Segundo levantamento da Filme B, entidade de pesquisa voltada ao mercado cinematográfico nacional, a empresa figura entre as 20 maiores da área no País. Foi em 1981, quando o Brasil ainda vivia em plena ditadura militar, que o primeiro cinema do grupo foi inaugurado, em Poços de Caldas, cidade mineira localizada a cerca de 460 quilômetros de Belo Horizonte. Era a realização do sonho de Eli Jorge de Lima, que em 1966 foi contratado como faxineiro do Cine Cairo, em São Paulo. Não demorou muito, ele passou à função de lanterninha, o que o aproximou ainda mais da Sétima Arte. Durante 15 anos, Eli Jorge aprendeu um pouco de tudo, até adquirir, no interior de Minas Gerais, sua primeira sala, semente do grupo, hoje administrado por ele e pelo filho, Márcio Eli.

NOS BASTIDORES DO 3D

Como se sabe, a tecnologia 3D (ou terceira dimensão) possibilita que se veja as imagens “saltando” da tela, como se fossem reais. O mecanismo de funcionamento é simples de entender, mas difícil – e caro – de ser executado: durante a produção do filme, as imagens são captadas em duas câmeras, colocadas lado a lado, na perspectiva, como se fossem as retinas direita e esquerda do olho humano. Após a edição e a montagem do filme, um projetor especial (que custa cerca de dez vezes mais do que um normal) exibe as imagens de modo alternado, numa frequência de 144 quadros por segundo – quando o normal é 24 quadros. E é justamente essa velocidade que transmite ao espectador a sensação de terceira dimensão.

O fim dos cinemas de bairro em Maceió

O Brasil viu, pouco a pouco, seus cinemas de bairro – como são chamadas as salas localizadas nas ruas, fora de centros de compras – fecharem. Em Alagoas não seria diferente. Rex, Lux, Ideal, Plaza e São Luiz sucumbiram a esse desaparecimento e deram lugar aos cinemas de shopping. A exceção seria o Cine Art Pajuçara (hoje, o Cine Sesi) que está na galeria comercial de um prédio residencial.

A segurança e a comodidade de um shopping – já que reúne lojas, centro de alimentação e estacionamento – são apontadas como os principais fatores para o fechamento das salas.

A OPINIÃO DE QUEM É DO MÉTIER

Com a abertura de novas salas de exibição em Maceió, a Gazeta foi saber quais são as expectativas das pessoas que frequentam o circuito e estão ligadas de alguma forma ao audiovisual.

Werner Salles
Documentarista
“Cinema é uma coisa rara em Maceió. Temos poucas opções e a chegada de mais cinco salas será muito bem-vinda, principalmente para pessoas que moram na parte alta da cidade. Espero que a novidade ajude a ampliar a oferta de filmes, com mais títulos e mais opções dessa imensa produção que temos hoje no Brasil e no mundo. E também espero que, ao contrário do que acontece hoje com os cinemas de shopping em Maceió, o novo complexo não vire as costas para o cinema nacional. Hoje temos uma produção riquíssima e que precisa ser vista, mas ela dificilmente chega até nós porque é ignorada por exibidores que só se preocupam em vender ingresso e pipoca. Acho que o maceioense irá ao cinema com uma frequência maior, mas não podemos esquecer que cinema, pelo preço, é uma diversão para poucos. A grande maioria vai permanecer vendo filmes por meio do DVD pirata, que é uma opção mais popular”.

Celso Brandão
Fotógrafo e documentarista
“Sinto muita falta de novas salas de cinema, mas sinto muito mais falta de uma programação mais diferenciada, com a exibição de mais filmes de arte.
Torço para que a direção desse complexo de novas salas tenha sensibilidade e priorize esse tipo de programação. Não precisamos de mais filmes comerciais, blockbusters, cinema hollywoodiano.
Precisamos de mais filmes de arte”.

Fonte: http://www.gazetaweb.globo.com

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