A polêmica da prostituição na Praia de Iracema e Forró Mambo continuam.

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Fotos exclusivas da casa Forró Mambo em Fortaleza

Novas denúncias sobre aliciamento e cafetões na praia de Iracema.


Avenida Historiador Raimundo Girão, Praia de Iracema, à noite. O relógio marca 21 horas e personagens sorrateiros começam a ocupar as esquinas. Saias curtas ou calças muito coladas aos corpos mostram silhuetas bastante diversificadas. Algumas chamam a atenção pelas curvas acentuadas, outras pelas pernas finas, mas quase sempre, com sandálias de saltos bem altos. São prostitutas e travestis que disputam uma clientela efêmera de turistas ocasionais e fortalezenses assíduos.

Desconfiadas elas não querem dar entrevista. A solução é, enquanto vamos pedindo o favor de nos dizerem alguma coisa sobre o trabalhar à noite nas ruas, enquadramos outras questões que elas respondem sem se dar conta que são aqueles depoimentos que traçam o perfil de uma vida difícil, cheia de riscos e que se divide entre a necessidade da busca pela sobrevivência e o próprio apetite sexual que algumas não conseguem ocultar.

A procedência é variável, elas vêm dos mais diversos bairros da cidade, quase sempre da periferia. Há solteiras e casadas, mães e viúvas, subordinadas a cafetinas ou cafetões e outras que trabalham por conta própria.

Como entre os animais na selva, o território é que delimitado e caracteriza os grupos.

Da esquina da Avenida Barão de Studart, sob a penumbra do abandonado ex-hotel Esplanada, até a Avenida Almirante Tamandaré, contígua ao Centro Dragão do Mar, distribuem-se as prostitutas e travestis que têm “patrão” ou “patroa”. Para o outro lado, Avenida da Abolição, estão as independentes.

Surpreendentemente, apesar de todo o trabalho dos órgãos responsáveis pelo combate à prostituição e à exploração de menores, sim, são encontradas meninas que ainda estão chegando a adolescência. Mais rápidas e preocupadas, elas estão sempre de olhos nos carros policiais que rondam a Praia de Iracema e não demoram muito tempo na rua. Os “clientes” também são rápidos e elas têm refúgio em “abrigos” sempre de portas abertas e olhos fechados ao crime da exploração de crianças e adolescentes.

À meia-noite, quem ainda não saiu para trabalhar ou já voltou do primeiro programa, senta ali mesmo na calçada escura numa pausa para o caldo tomado em copos descartáveis. Elas também compartem estimulantes energéticos e enquanto dizem que não podem falar “porque eu morro de vergonha” ou “posso falar não que eu tenho que trabalhar”, elas deixam escapar que gostam do que fazem, apesar de não ser o trabalho ideal, “mas é muito bom transar”.

Alguma mais provocativa é enfática: “se a gente for para um motel eu lhe dou a entrevista de graça”. Outra mais mercenária põe logo o preço: “me dê R$ 50,00 que eu falo”. Questiono, e quanto é o programa? “R$ 50,00.” E você quer me responder algumas perguntas pelo preço de um programa? Revido e não fico sem resposta. “É, mas você ganha para sair perguntando coisas pra gente, né?”. Diante da agressividade da resposta a companheira de esquina pechincha na proposta: “Dá R$ 10,00 pra cada uma que a gente fala”.

Mas passa um turista bem apessoado e ela não quer mais nem saber de nada, sai correndo atrás dele, apesar das negativas insistentes do rapaz. Ela o acompanha até a esquina e volta com a cara murcha como a raposa que diz que as uvas estão verdes, “com esse daí eu ia até de graça”, mas foi exatamente na negociação do preço do programa que o rapaz desistiu de lhe dar mais atenção e sorrindo saiu.

A agressividade não é apenas uma forma de defesa. “Lixo” é um adjetivo comum, normalmente dirigido aos homens que passam nos carros e lançam olhares de reprovação às mulheres nas calçadas. E não importa que eles parem no sinal vermelho. Se insistem em encarar a garota sem o apelo clientelista, recebem de cara a provocação: “lixo”.

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